Elísio Oliveira é natural de Pinheiro de Baixo, con­celho de Mangualde, onde nasceu em 1961.

Fez a escola Básica e Secundária em Mangualde e Viseu.

Licenciou-se em Economia na Universidade de Coimbra. Fez inicialmente consultadoria para empre­sas da região e trabalhou durante 30 anos na PSA – Peugeot Citroen em Mangualde, tendo desempenhado as funções de Diretor Financeiro e Relações Institucio­nais nos últimos 8 anos. Foi-lhe, ainda, confiada, pelo Grupo PSA, a responsabilidade de Gerente Único na empresa PSA- Services, uma empresa de contabilidade e serviços financeiros para a Europa e Norte de África, instalada na Maia – Porto, com 150 licenciados.

 Fez parte da Direção da Associação Empresarial de Viseu (AIRV) e do concelho Geral do Agrupamento de Escolas de Mangualde. Colaborou com os jornais Notí­cias da Beira, Renascimento e Jornal do Centro.

Foi-lhe atribuída a medalha Municipal de Mérito em 2009.

Foi o Mandatário da candidatura de João Azevedo nas eleições autárquicas de 2013.

Em 2016, com 55 anos de idade e 30 anos de servi­ço, manifestou ao Grupo PSA o desejo de fazer coisas diferentes, logrando alcançar um acordo de saída com o Grupo PSA, a produzir efeitos um ano após o acordo.

Ainda antes de sair foi convidado pelo Ex-Secretário de Estado da Indústria, João Vasconcelos, para ser seu assessor para a indústria, funções que exerceu durante um ano.

Seguiu-se a Vice-Presidência da Câmara Municipal de Mangualde, entre outubro de 2017 e outubro de 2019.

Desde o passado mês de outubro é o novo Presidente da Câmara Municipal de Mangualde, na sequência da saída do Dr. João Azevedo para Deputado da Assembleia da República.

Entrevista

Trabalhou 30 anos na PSA, no setor privado, o que o fez vir para a política?

O que me fez vir para a política foi a combinação do im­pulso e do sentido de causa pública com o convite que me foi dirigido.

Tive a oportunidade de trabalhar numa grande empresa multinacional, a maior da região centro e, dentro dela, sem prejuízo de uma dinâmica de gestão muito exigente, pude desenvolver a dimensão da responsabilidade social e reali­zar muita iniciativa que contribuiu para o enriquecimento de Mangualde, predispondo-me, de certa forma, para essa experiência. Também frequentes contactos com membros do governo, (Secretários de Estado, Ministros e Primeiros Ministros) relacionados com os projetos de investimento e outros dossiers da PSA me aguçaram o engenho.

Pode exemplificar algumas iniciativas a que se refere anteriormente?

Posso referir-lhe iniciativas como a colocação do monu­mento do 2CV na rotunda próxima da A25, a rotunda e o carro Boca de Sapo em granito preto. Nestas duas iniciati­vas foi necessário mobilizar vários parceiros da PSA para partilharem o financiamento e ficarem praticamente a custo zero para a Câmara. Mas podia juntar ainda o parque infan­til em frente ao Novo Banco (ex BES), duas carrinhas de transporte de pessoas com deficiência no valor de 40.000 euros cada, uma para a Santa Casa da Misericórdia de Man­gualde e outra para o Complexo Paroquial, uma ambulância para os Bombeiros, inúmeros subsídios para as coletivida­des, etc. Este conjunto de ações que tive a honra de protago­nizar ao serviço da empresa PSA permitiu-me uma ligação às pessoas, às instituições e ao território que potenciaram a vontade de ir mais longe. Neste contexto, uma experiência autárquica tornou-se uma passagem e uma experiência com sentido.

Mas, pelo meio, ainda passou por Lisboa, pela Secretaria de Estado da Indústria?

Sim, tive o honroso convite do Secretário de Estado da In­dústria, João Vasconcelos, para ser seu assessor, curiosa­mente, durante uma visita à PSA e em que tive com ele uma conversa de grande afinidade e convergência de visão industrial e que ocorreu na fase em que já tinha acordado com a PSA a minha saída.

Como correu essa experiência de passar pela Secretaria de Estado da Indústria?

Foi uma experiência extraordinária, vivida com grande in­tensidade, com muito contacto com as empresas, com orga­nismos do Estado, com embaixadores, com as Associações Setoriais, muitas conferências e feiras tecnológicas ligadas à inovação. Fiz muitos e grandes amigos em Lisboa que hoje ocupam lugares de destaque. Ainda tive o grato prazer de o meu nome ter sido um dos três nomes propostos para substituir o secretário de Estado. Foi, portanto, uma experi­ência que correu muito bem.

Como tem sido o contacto com as pessoas e com as instituições?

Tem sido uma experiência muito gratificante. Temos uma agenda social, cultural e política que nos põe em contacto permanente com as pessoas e com o território.

Tenho participado em muitas comemorações, festas de as­sociações e instituições diversas, eventos desportivos, reli­giosos etc.

Ao longo destes dois anos participei em muitas caminha­das, sardinhadas, magustos. Jantares de Natal, festas de verão e convívios diversos. Também me desloco muito ao terreno para acompanhar as nossas obras e para observar e analisar os problemas que me apresentam nas audiências ou por expressão espontânea dos munícipes em diferentes lugares.

Estamos sempre a descobrir coisas novas e a criar proxi­midade com as pessoas e com o território e a aviventar as tradições e a cultura do nosso concelho.

Realço o bom relacionamento com os colaboradores da Câ­mara que me merecem o enaltecimento da sua dedicação e competência e que são geradores de um clima social inter­no de grande empatia, convivialidade e coesão.

Registo a capacidade da minha equipa política em se mol­dar a novas dinâmicas e a diferentes formas de trabalhar.

Dou grande importância ao relacionamento com as insti­tuições sociais, culturais e desportivas, que têm um papel fundamental e insubstituível na promoção de um povoa­mento ativo e de qualidade no nosso território e na defesa dos valores culturais, das tradições e dos laços sociais entre as pessoas.

Gostava de sublinhar ainda o papel das Juntas de Freguesia na governação e na coesão do concelho, estando na primei­ra linha de intervenção e proximidade junto da população e dos seus problemas e na valorização do território.

Os Presidentes de Junta de Freguesia são dos melhores exemplos da sociedade em termos de abnegação e dedica­ção à causa pública.

É o primeiro mangualdense a ter a experiência de uma função de Direção na maior empresa do concelho, a PSA, e a função de Presidente da Câmara Municipal. Como compara estas duas organizações?

A PSA destaca-se pela natureza empresarial e privada da sua atividade. Carateriza-se ainda pela sua grande dimen­são e complexidade. Gere, por exemplo, um orçamento superior a 500 Milhões de euros e cerca de 1000 colabo­radores.

A Câmara Municipal destaca-se pelo serviço público, pela natureza política e pela sua condição eleitoral. Em termos de dimensão tem um orçamento de 27 milhões de euros e cerca de 250 colaboradores.

Na PSA encontra-se a forte exigência dos mercados e das Direções Centrais do Grupo. Na Câmara encontra-se a exi­gência dos munícipes, o contraditório da oposição e a pres­são dos meios de comunicação.

A diferença de tempo entre uma decisão e a respetiva exe­cução é muito maior na Câmara, por causa da burocracia pública.

Na cultura de exigência e de management, também há di­ferenças, em parte, por causa da lógica eleitoral. São enfim algumas notas diferenciadoras, entre outras.

Como irão ser os próximos anos?

Iremos dar continuidade, com alguma inovação e novas ambições, à execução do programa que iniciamos nesta le­gislatura e que corresponde ao nosso programa eleitoral. Sem ser exaustivo, posso-lhe deixar as algumas notas:

Na área ambiental, temos 9 Etars em construção num valor aproximado de 7,5 Milhões de euros de investimento.

Também faremos investimentos na modernização do siste­ma de abastecimento de águas.

Iremos brevemente plantar 200 árvores no perímetro da cidade, com mais de 2 metros de altura, financiadas pela empresa Patinter.

No urbanismo iremos investir na requalificação do largo da carvalha, no bairro do relógio velho, no largo do complexo paroquial e na parte envolvente do mercado municipal.

No âmbito da politica industrial estamos a reconverter o projeto de zona industrial, no sentido de o relocalizar nas proximidades da estrada Mangualde – Nelas, desde a Citro­en até próximo da rotunda do 2CV. Também temos dina­mizado operações geradoras de investimentos futuros, di­namizando operações em que pessoas que tinham terrenos com bom perfil industrial em torno do eixo da estrada Man­gualde – Nelas, como já referi, os venderam a empresários investidores. Estamos a falar de cerca de 200.000 m2 que, a seu tempo, darão resultados, e sem custos para a câmara na compra e preparação de terrenos. Esta é uma ação de grande alcance, que valoriza muito o Mangualde Industrial e deixa a cidade mais conjuntada, mais consistente e mais atrativa para os investimentos.

Ainda no âmbito do desenvolvimento das atividades eco­nómicas, continuaremos a apoiar as dinâmicas do sector agroflorestal.

No âmbito da educação, trabalhámos e apresentámos em setembro duas candidaturas no valor de 1,5 Milhões de eu­ros para requalificação da ESFA e da ACO, queremos que os nossos jovens tenham escolas de qualidade. Também entendemos que boas escolas reforçam a atratividade do nosso concelho e contribuem para a fixação de famílias.

No âmbito da qualificação profissional demos à Associação Empresarial de Mangualde um lugar central que correspon­de à importância da sua missão e que tem trazido gente e fluxos sociais para um perímetro urbano mais central.

Estamos também a trabalhar, conjuntamente com o IPV, no sentido de ter em Mangualde ensino superior técnico – pro­fissional em que 70% será dado nas empresas, pelos en­genheiros das empresas. É um tema difícil, que ainda não podemos dar por adquirido, mas a verdade é que já fizemos 40 reuniões com as 20 maiores empresas de Mangualde, Tondela e Nelas e, para já, está em desenvolvimento.

A qualificação profissional dos mangualdenses é funda­mental para acompanharem o progresso tecnológico das empresas.

No plano cultural quero reafirmar a ambição deste execu­tivo em levar para a frente o projeto de recuperação do ci­neteatro. Esperamos, ainda este ano, aprovar o projeto de arquitetura em reunião de Câmara, para depois ser lançado a concurso.

Ainda no âmbito da cultura, não me conformo com o facto de não termos um museu. Quero lançar politicamente essa ambição. Um concelho que tem uma história tão rica como Mangualde, um património histórico, material e imaterial secular, material arqueológico e etnográfico, e tem indústria tão rara, tem tudo para explorar a visitação e fazer pedago­gia com a sua população em particular com os jovens. A título de exemplo: poderíamos ter no museu um espaço de­dicado à nossa indústria e, dentro dele, um espaço dedicado ao automóvel, expor um 2 Cavalos e um Boca de Sapo, que já temos também monumentalizados em 2 rotundas, e explorar a história destes carros míticos, mais a história da fábrica da PSA. E a partir do museu, fazer visitação à fábrica, para ver como se fabrica um carro, fazen­do um roteiro que passa pelas 2 rotundas com os carros. Já temos garantida a disponibilidade da fábri­ca para esta cooperação. Precisamos de encontrar um espaço que combine localização central, custo comportável e dignidade arquitetónica. Estamos a explorar o tema.

Como serão as rela­ções com o Deputado João Azevedo?

Serão, naturalmente, rela­ções de leal cooperação e de reforço da nossa ação política.

Pelo conhecimento que o Dr. João Azevedo tem do nosso concelho e pela proximidade que tem com o poder central, será seguramente um forte apoio da nossa atividade e será uma mais – valia política para a região.

Aproveito para enaltecer o seu legado, que foi aqui exposto por ele próprio na entrevista que deu ao Notícias de Beira, e para lhe desejar boa sorte nas suas novas funções.

Está disponível para ser candidato nas próxi­mas eleições em 2021?

Não estou a ponderar ser candidato a Presidente da Câmara Municipal de Mangualde nas próximas eleições. Além de razões pessoais, que guardo para mim, identifico uma razão de fundo que é a seguinte:

Depois de alguma reflexão e com grande desprendimento, penso que o futuro candidato do PS deverá ser alguém que esteja disponível para fazer um ciclo longo de 12 anos au­tárquicos, ou seja, 3 mandatos. Assim foi com o Dr. João Azevedo, e já tinha sido com o Dr. Soares Marques e com o Dr. Mário Videira Lopes. Ora, eu no final deste mandato terei 60 anos de idade, com mais 12 teria 72 anos. No má­ximo, eu estaria disponível para mais um mandato, o que significaria que daqui a 4 anos o PS teria de estar à procura de novo candidato. Assim sendo, parece-me pertinente lan­çar já um candidato para os 12 anos.

Durante os dois anos que faltam para terminar este mandato, trabalharei com total determinação e máximo empenho, como se fosse candidato, e estarei disponível para contribuir, com quem quer que seja escolhido pelos militantes do PS para candidato, no sentido de enriquecer a candidatura e o seu programa. Tudo farei para no fim destes dois anos sair com um profundo sentimento de dever cumprido, tal como aconteceu sempre por onde tenho passado. Estarei também disponível para outras vivências e experiências.