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Algumas verdades da vida de um seminarista _ por Jorge Santos

Algumas verdades da vida de um seminarista

 

Muitos amigos e conhecidos, por saberem que estudei num seminário, mostram-me a sua curiosidade em relação à vida dos seminaristas, que infelizmente estão a desaparecer com a diminuição da natalidade, com o despovoamento das dioceses e também com a melhoria da qualidade de vida que hoje em dia proporciona bons estudos a qualquer pessoa, ao contrário de tempos antigo sem que os seminários se encontravam repletos de alunos humildes, sem posses para estudar, contrastando com os dias de hoje que se encontram vazios e ao abandono.

Os seminários são instituições conhecidas pela sua história e extremamente desconhecidas pela verdade dos fatos. Pois poucas pessoas sabem o que realmente se passa lá dentro ou como é o seu quotidiano.

De forma a fugir à vida dura e humilde que os meus pais levavam antes de emigrarem, ingressei no seminário das missões da Boa Nova em Cernache do Bonjardim em 1990, de onde guardo muitas recordações e ensinamentos que me que me têm sido úteis na vida.

Muitos pensam que para formar um sacerdote é como praticar culinária, onde se juntam condimentos e misturam uns ingredientes, e “voilà!” forma-se um sacerdote. Mas não é assim. Tem muito mais que se lhe diga.

Para terem uma ideia, no meu primeiro ano de seminário ingressámos no 7º ano 30 alunos seminaristas, e apenas um foi formado sacerdote. O que considero um saldo positivo face aos dias de hoje.

Como disse não se trata de juntar ingredientes e fazer cálculos matemáticos. A formação de um sacerdote é muito mais complexa. Em primeiro lugar porque somos pessoas diferentes e cada um tem uma história própria e uma maneira própria de viver. Em segundo lugar a configuração em Cristo é um movimento muito mais interior do que exterior. Requer força de vontade, convicção, carácter e sobretudo muita fé. E em terceiro lugar, ser sacerdote não é uma profissão mas sim uma vocação, que só pode ser alimentada com muita oração, meditação e dedicação, para podermos sentir o chamamento divino, que se vai desenvolvendo e manifestando dia após dia. 

Mas, ao contrário do que muitos pensam não passávamos o dia inteiro a rezar. Fazíamos uma vida completamente normal, disciplinada e regrada.

Parece que ainda hoje ouço a sineta que soava todos os dias às 7 h da manhã, dando o início às rotinas diárias que se estendiam até à hora de deitar durante o ano lectivo.

Todos os dias havia ocorre entre os octógonos sanitários e os lavabos para não chegarmos atrasados à igreja, uma vez que havia sempre um ou outro que ficava a saborear o quentinho dos lençóis e depois mal sobrava tempo para passar água no rosto, antes da oração da manhã que iniciava à 7.30h,e que também servia de meditação e preparação espiritual à missa diária e rotineira que era celebrada de seguida.

Sendo este um seminário pobre que dependia da caridade dos seus benfeitores e do que se cultivava na quinta pela mão dos seminaristas e dos padres, não havia condições para contratar empregadas que gerissem as camaratas, salas de estudo, salas de recreio, refeitório, e tratassem das devidas limpezas. Pois cada um de nós aprendeu a assumir esse papel, que viria a ser pedagógico e importantíssimos anos mais tarde na vida de cada um.

Numa rotina equilibrada que contemplava diferentes necessidades, jogávamos futebol, aprendíamos música, estudávamos, víamos televisão  (em que os filmes eram devidamente seleccionados pelos nossos prefeitos), rezávamos e brincávamos como crianças “adultas” que tomavam conta umas das outras.

Para além de aprendermos a ser homens, aprendíamos também a ter misericórdia, que é a coisa mais bela que um homem pode oferecer ao outro, num tempo essencialmente de prova como aquele que estávamos a viver. Cada dificuldade, cada desafio, cada tristeza tinha de servir como lição para que um dia também nos identificássemos com a miséria dos outros.

E a vida de um seminarista é isto, apesar que no começo se criarem muitas espectativas. Pois queremos dar tudo a Cristo, até o sangue se for necessário. Com o tempo assim como no namoro, as coisas vão mudando, o sim dito antes vai-se transformando numa distante lembrança de um tempo que não volta, e muitos desistem no caminho.

 

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